Resenhas · Travel

Under the Tuscun sun #2

Quando comecei o post sobre a primeira parte da nossa pequena viagem nunca pensei escrever tanto que tivesse de o dividir em dois! Já aqui disse que passámos as cinco noites por Florença: quem não leu, pode sempre ver aqui.

Como o nosso objectivo era conhecer e explorar a região da Toscana, decidimos alugar um carro por dois dias. Devo dizer que alugar um carro em Florença pode ser muito dramático, uma vez que não há muitas opções de estacionamento que não saiam do orçamento. A cidade, como muitas outras de Itália, tem sérias limitações no que diz respeito ao tráfego. Depois de muito procurar, lá descobrimos um parque nos arredores, que ficava a 10 minutos a pé do nosso apartamento. Queríamos muito ter conseguido um Fiat 500 mas, sem grande espanto, estavam todos esgotados, pelo que tivemos a sorte de ficar com um Opel Adam, com tecto de abrir, e que foi ainda melhor do que o esperado.

Uma das melhores experiências de viajar de carro pela Toscana é, sem sombra de dúvida, as paisagens. As estradas com fileiras de ciprestes gigantes, os infindáveis vinhedos, as vilas que se vão descobrindo ao longo do caminho, cuidadosamente circundadas por muralhas e árvores. É, com certeza, uma das regiões mais bonitas onde já estive.

No primeiro dia partimos para o sudoeste de Florença, até Arezzo, uma pequena e tranquila cidade no topo de uma colina entre quatro vales, que foi cenário do filme a Vida é Bela. Longe das massas turísticas, consegue sentir-se muito bem a calmaria da vida local (que muito me fez, por isto, lembrar do nosso Alentejo). Almoçámos numa pequena Osteria e visitamos a cidade a pé, antes de seguirmos viagem.

Apenas a mais 30 km, depois de lindos vales repletos de girassóis, encontrámos a charmosa Cortona, a nossa descoberta favorita. Localizada no topo de uma colina, tem uma vista deslumbrante pelas planícies da zona. Aqui, o melhor é mesmo perdermo-nos pelas ruelas, deambulando pelo sobe e desce por entre as casinhas de pedra, até à praça principal. Mencionada no livro que deu o titulo a este post, esta Praça também foi palco das gravações do filme homónimo. O Duomo de Cortona foi dos nossos favoritos pela sua inesperada riqueza e pela vista fabulosa lá de cima onde se encontra.

Acabámos por ver o pôr do sol de Montepulciano, onde petiscamos umas delicias e fizemos uma prova de vinhos numa Enoteca. Queria ter ido a Montalcino mas acabei a provar o Brunello mesmo aqui (para quem ainda não percebeu, refiro-me a um vinho, do qual eu ouvia falar desde miúda). Esta região é nobre na vinicultura e eu fiquei com vontade de voltar para descobrir melhor esta faceta.

Este slideshow necessita de JavaScript.

No dia seguinte começámos por San Gimignano, talvez a vila mais visitada a partir de Florença. Por este motivo fomos logo de manhã bem cedo, a fim de evitar as massas turísticas. Depois das vilas anteriores, não ficámos fascinados por esta, talvez também pela quantidade de gente. Mas aproveitámos para provar os deliciosos gelatos artesanais, que merecem a fila de espera.

Seguimos viagem até Siena, a segunda cidade principal da Toscana. Conhecida pela sua Piazza del Campo, esta cidade medieval tem a loba que amamentou Remo e Rómulo como seu símbolo e presente por toda a cidade. O seu Duomo é um dos exemplos mais marcantes da igreja gótico-românica do país. Imponente, quase ofuscante pelo o uso extensivo do mármore branco, o Duomo fascina, mesmo do lado de fora. E ao entrar, não é uma decepção, pois a Catedral possui obras assinadas por artistas como: Donatello, Nicola Pisano e Michelangelo. Mas ainda mais fascinante achei a Biblioteca Piccolomini, também dentro da Catedral, toda ela recoberta com frescos verdadeiramente extraordinários nas paredes, mas também no teto, brilhando por causa uso abundante de ouro.

A nossa última paragem foi bem no coração da famosa região vinícola de Chianti, em Castellina in Chianti. Percorremos estradas lindíssimas até aqui, passando por Greve e os seus vinhedos no caminho. São mais duas pequenas aldeias de pedra, bem ao estilo da região, onde se pode simplesmente passear e sentir uma paz de espírito sem igual.

Este slideshow necessita de JavaScript.

Acabámos este dia com o sonho de, um dia, comprar uma casa por estes lados para viver, não de amor e uma cabana mas algures numa vinha, sob o sol da Toscana.

Deixar uma resposta