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spring flowers

Lockdown – um ano depois

Fez hoje um ano que foi decretado o primeiro lockdown no Reino Unido.

Há um ano atrás, preparei-me para ficar, por tempo indeterminado, sozinha em casa, tendo cancelado as férias da Páscoa em Portugal, sem saber quando poderia regressar a casa ou quando reabririam a clínica. Encarei bem esse tempo, fiz planos, organizei finanças e até suportei bem esse isolamento solitário forçado.

Três semanas depois, felizmente, as saídas para o trabalho retomaram, apesar deste ter sido completamente irreal até Junho, altura em que a minha profissão retomou a alguma “normalidade”, mantida até aos dias hoje.

Hoje, um ano depois, em pleno terceiro lockdown, sinto ainda algumas semelhanças ao que senti no ano passado. A frustração de não conseguir ir a casa, não saber para quando o reencontro com o marido, continuar sem conseguir fazer planos e com a vida num verdadeiro Hold.

Dizia eu, no outro dia, que já não aguento mais os discursos pseudo filosóficos daquilo que se aprendeu com a pandemia. Talvez, por ter perdido o meu pai da forma bruta e sem aviso que perdi, sempre achei que a vida era para ser vivida e aproveitada ao máximo, no real carpe diem. Há 11 anos que penso assim e, quem me conhece, sabe que vivi de acordo.

Por isso, também nunca me senti longe. Aproveitei cada oportunidade para estar com os meus, sem olhar a preços de voos ou dias de trabalho perdidos. Sempre valorizei muito o estar presente e não precisei desta situação para me fazer ver absolutamente nada de novo –  só para me relembrar, mais uma vez, da nossa frágil condição humana.

O que, por vezes, quando encarada, faz mesmo querer mandar tudo pela janela.

É inevitável, para quem está fora, pensar e repensar a nossa condição. Se faz sentido. Se queremos manter-nos assim, sozinhos.

E por quanto tempo? Esta corrente de pensamentos é fácil de nos puxar e, o facto é que, desde o ano passado, houve um aumento drástico na quantidade de emigrantes que regressaram aos seus países de origem. Muitos por, efetivamente, terem perdido os trabalhos. Mas muitos, acredito eu, por uma questão de saúde – e sanidade – mental.

Resta-me, como fui hoje re-lembrada (cheers, bro), agarrar-me ao pensamento que sim, já estivemos pior. Sim, já tenho a primeira vacina em cima, e a segunda marcada e, para todos os efeitos, o “fim” destas restrições está para breve – fins de Junho, segundo o amigo Boris.

Depois de três meses de Inverno Britânico, com dias sem qualquer alento, tenho inevitavelmente de acreditar que o pior, realmente já passou. A ciência fez o seu papel – descobrir as vacinas. Agora, é esperar que os governos e a população cumpram a sua quota parte, para que consigamos pôr efetivamente um fim a este pesadelo mundial.

A partir de dia 12 de Abril reabrem algumas coisas e as pessoas podem socializar no outdoors e em Maio poderemos voltar a fazer almoços e jantares em conjunto.

Afinal, temos mesmo de continuar a acreditar que sim, já faltou mais para isto melhorar.

 

 

 

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A autora - Margarida

Portuguesa em Doncaster.

Médica Dentista de Dia || Blogger, viajante e entusiasta da cozinha nos tempos livres

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